Aos 26 anos, Kate Crawford vivia uma rotina exaustiva: mãe de três filhos pequenos - todos com menos de 3 anos -, lidava com dores constantes, cansaço extremo e uma sensação de estar sempre à beira do colapso físico. Na época, seus sintomas foram atribuídos à maternidade. Nem mesmo uma crise aguda nas costas, que a levou ao pronto-socorro, levantou suspeitas mais graves.
“Os médicos me disseram: ‘Isso é simplesmente a maternidade’”, relembra Kate, hoje com 41 anos.
Mas ela sabia que algo não estava certo. Durante um autoexame, notou alterações nos seios e decidiu mencionar o incômodo durante uma consulta de rotina com seu ginecologista. Ele solicitou uma mamografia, mais por precaução do que por preocupação real.
“Eu estava com as costas doendo, muito cansada, meus seios pareciam estranhos. Achei que tudo isso era normal para uma mãe de três crianças pequenas”, conta. “Mas a médica que fez minha mamografia foi muito sincera. Ela olhou para mim e disse: ‘Não vou mentir. Olhei seu prontuário e vi que você tinha 28 anos, e eu nunca, nem em um milhão de anos, imaginaria que veria algo na sua mamografia. Mas estou realmente preocupada com o que vejo, então precisamos agendar uma biópsia para você.”
Pouco tempo depois, no aniversário de 41 anos de seu marido, Kate recebeu a ligação que mudaria tudo: o diagnóstico era câncer de mama. “Chorei. Pensei: ‘Isso não pode ser a vida real’". O choque aumentou dias depois, quando sua médica entrou no quarto do hospital com um diagnóstico devastador: o câncer já estava em estágio 4.
“Estava nos meus dois seios, no ombro, em todas as costelas direitas, pélvis, fígado e coluna inteira”, descreveu à People. “Minha primeira pergunta foi: ‘Vou morrer? Vou deixar meus bebês?’”. A resposta da médica foi simples, mas poderosa: “Vamos tentar não deixar que isso aconteça.”
Assim, em 2013, aos 28 anos, Kate iniciou um agressivo tratamento de quimioterapia. Durante um ano e meio, enfrentou sessões semanais. A previsão inicial era sombria: 18 a 24 meses de vida.
Mas Kate sobreviveu ao prazo. Superou os dois anos, depois três, cinco, dez... e, em janeiro de 2026 completará 13 anos desde o diagnóstico. “Sei que o câncer de mama vai me matar um dia. Só que ainda não aconteceu. É uma questão de tempo”, desabafa. Entre tratamentos, exames e a incerteza constante, ela tenta construir memórias com a família e manter viva a presença de uma mãe amorosa e lutadora para os filhos.
“Tudo o que quero é criar memórias com a minha família. Não quero que eles olhem para trás com tristeza. Quero que saibam que, mesmo doente, a mamãe fez o melhor que pôde.”
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